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Política e Polícia

by Leonardo Allevato on setembro 16th, 2014

Um pouco de história pode nos ajudar a entender e prever cenários no campo da Segurança Pública no Rio de Janeiro, considerando-se o binômio polícia-política.

O general Charles de Gaulle, que além de comandante do Exército francês também foi presidente da França, ou seja, experimentou os dois lados da moeda (polícia/política), relata, em sua obra “O Fio da Espada”, as relações históricas entre o político e o soldado.

Atrevo-me a trazer algumas dessas considerações, que foram compiladas por ele pela observação de diversos cenários internacionais, para a realidade da Segurança Pública do Rio de Janeiro:

Em tempos de paz, o homem público é o centro das atenções, em tempos de guerra, o chefe militar detém esse papel. Apesar disso, em tempos de guerra, há uma interdependência entre eles.

Ora, não há dúvida que estamos sentados em um barril de pólvora e se já tivemos próximos de uma guerra civil no Rio de Janeiro, o perigo ainda é iminente. E qual o valor tem o chefe militar (o Comandante Geral da PMERJ) nesse processo? Existe uma interdependência entre polícia e política ou uma invasão de domínio (política na polícia) causada pela necessidade de resultados positivos – levando a decisões intempestivas e desprovidas de cautela e embasamento – e pelo desejo de dominar?

O chefe militar, por agir baseado em princípios – pressupõe-se que assim o seja – e pelo hábito de obedecer, é intimidado, em suas objeções, a decisões políticas. Aliado a isso, a manipulação de promoções e cargos deteriora o pilar hierarquia/disciplina que norteia o trabalho policial militar. É a “corrupção do exército”, segundo o próprio de Gaulle.

Entregar o comando da política e da polícia a uma mesma pessoa pode ser desastroso como bem já pudemos observar em um passado não muito distante (mesmo que esse duplo comando seja velado, não oficial).

Apesar disso, homens de caráter – e gostaríamos e esperamos que todos os nossos comandantes fossem assim, de caráter ilibado – mesmo em face de tantos reveses, chamam para si a ação. Preferem que lhes deem a missão e lhes deixem senhores da ação – que muito bem a desempenharão por causa de seu caráter – ainda que tenham que pautá-la em regulamentos, mas sabendo que toda ação depende de situações até certo ponto imprevistas, mas nunca de decisões políticas incoerentes.

As decisões devem ser sempre de cunho moral – as ordens não devem tudo prescrever – e, para isso, os chefes devem ser revestidos de autoridade – sempre – e, se antes a autoridade era respeitada simplesmente por causa do posto ou função, hoje assim o é por conta das ações e do prestígio.

Se cada comandante agisse baseado em fatos, preferencialmente à conformidade rígida com os regulamentos, esforçando-se em realizar em vez de agradar, nunca escondendo o pensamento quando deveria externá-lo, custe o que custar, e que do mais antigo ao mais moderno se volte ao caráter, distinguindo-o, exortando-o e exigindo-o, ver-se-á a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro retomar todo o seu vigor moral.

Isso tudo, entretanto, aplica-se não aos medíocres, mas aos ambiciosos de primeira linha que não veem na vida outra razão a não ser imprimir sua marca nos acontecimentos.

Leia abaixo o resumo que fiz do livro “O Fio da Espada”, de Charles de Gaulle.

O Fio da Espada by Leonardo Allevato

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